Segredos INFALÍVEIS para AULAS ON-LINE DE SUCESSO


Especialistas em pedagogia e educação à distância explicam como adaptar uma aula presencial sem perder a qualidade do ensino

Em tempos de pandemia, boa parte do setor de educação foi obrigado dar o braço a torcer e se adaptar a uma realidade que até então muitos estavam relutantes: o ensino à distância.

No Brasil, essa modalidade de educação começou a se tornar popular mais precisamente em 1996, através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a qual buscava facilitar a formação de alunos com aulas não presenciais.

Mesmo com muitas características em comum, como condições mais flexíveis em relação aos horários das aulas e a possibilidade de estudar diretamente de casa, é importante destacar as diferenciações entre EaD e aulas on-line.  Sim, elas podem não ser a mesma coisa!

EaD x Aulas On-line: QUAL A DIFERENÇA?

Diferenciar suas particularidades fica mais fácil quando conhecemos os termos síncrono e assíncrono.

As ferramentas assíncronas do EAD são aquelas consideradas desconectadas do momento real e/ou atual.

Ou seja: não é preciso que os alunos e professores estejam conectados ao mesmo tempo para que as tarefas sejam concluídas e o aprendizado seja adequado. 

Um exemplo claro deste tipo de aula que utiliza ferramentas assíncronas são cursos on-line com aulas pré-gravadas, em que podem possuir fóruns ou listas de discussão.

Mesmo não possuindo a interação aluno/professor em tempo real, este tipo de modalidade de ensino também é considerado EaD e tem se tornado muito popular através das mídias sociais, ainda que seja alvo de críticas por parte de especialistas.

Já as ferramentas síncronas do EAD são aquelas onde é necessária a participação do aluno e professor no mesmo instante e no mesmo ambiente – nesse caso, virtual, como por exemplo webconferências e chats. Sendo assim, aluno e professor necessitam se conectar no mesmo momento e interagir entre si de alguma forma para concluírem o objetivo da aula.

RESUMINDO: Basicamente, toda aula on-line é EaD, porém nem toda aula EaD é aula on-line.

O NOVO NORMAL E AS TRANSFORMAÇÕES DO MERCADO

O profissional que se apoiar no pensamento de que uma aula funcionará em um ambiente virtual do mesmo jeito que funciona presencialmente vai levar um grande susto se tiver que se adaptar às pressas e não buscar investimentos no segmento.

De acordo com o prof. Ayrton Santos de Queiroz, mestre em Administração e especialista em Educação à Distância, com as orientações de distanciamento social por conta da pandemia do novo coronavírus e a adaptação de muitas redes de ensino fornecendo suas aulas em ambiente virtual, o mercado de escolas e os profissionais da educação estão abrindo os olhos para esta modalidade e percebendo uma boa aceitação por parte dos alunos.

“As redes estão se dando conta não só de que os alunos estão recebendo bem as aulas e mantendo a produtividade, como também muitos preferem que estas aulas sejam sempre no mesmo horário, para se manter uma rotina”, avalia o professor, que afirma anteriormente, o “normal” era que os estudantes procurassem aulas à distância justamente por conta da flexibilidade de horário.

DICAS PARA PRODUZIR BOAS AULAS EM AMBIENTE VIRTUAL

1 – AMBIENTE É TUDO!

Seja de dia, à tarde ou à noite, o professor que for realizar uma aula em ambiente virtual deve estar preparado para fornecer a melhor experiência possível para o aluno em um ambiente de qualidade. Entende-se como ambiente o físico e o virtual.

Segundo Gleidson do Espírito Santo, diretor pedagógico da KNN Idiomas – que agora fornece suas aulas através do ambiente virtual KNN At Home – a recomendação é que o professor esteja, se possível, na própria sala de aula da escola (se for professor de uma rede), pois assim se torna mais fácil para o profissional prender a atenção dos alunos pelo ambiente já ser conhecido. Caso não seja possível, opte por um ambiente mais neutro e com poucas informações visuais. Um ambiente muito poluído pode tirar o foco dos alunos com mais facilidade.

Contratar uma plataforma on-line também é essencial. “Há diversos serviços de ambientes virtuais terceirizados, então a melhor orientação é que o profissional faça uma boa pesquisa de mercado para avaliar qual plataforma melhor pode atender às suas necessidades”, afirma Gleidson.

2 – EQUIPAMENTOS DE QUALIDADE

É de extrema importância que o professor possua equipamentos adequados como câmeras, microfones e iluminação.

Além disso, é importante também que o profissional possua uma boa conexão de internet que suporte a transmissão das aulas e que todos esses equipamentos sejam testados pelo menos com 30 minutos antes do horário marcado, para que dê tempo de trocar de equipamento caso tenha algum tipo de problema. Desta maneira, o professor irá evitar interrupções e perda da dinâmica da aula.

O supervisor pedagógico da KNN Idiomas, Marcelo da Matta, orienta que uma preparação e investimento tecnológico definirá boa parte do sucesso das aulas virtuais. “O áudio precisa estar adequado para que o aluno tenha bom entendimento e compreensão do que esteja sendo falado. Já a qualidade da iluminação pode ser melhorada através de um simples abajur ou luminária”, recomenda.

3 – IDENTIFIQUE O PERFIL DA TURMA

Qual aluno é mais tímido e qual aluno é mais retraído?

Quebrar as barreiras da timidez pode ser ainda mais difícil para o professor que começa a dar aulas à distância.

O primeiro passo, de acordo com o diretor pedagógico da KNN, é entender o que causa essa barreira. Para a grande maioria dos alunos fazer uma chamada de vídeo é algo novo, eles ainda não estão acostumados com essa situação, e com as aulas on-line não é diferente.

Outro ponto é ter, durante a transmissão, um ambiente que seja familiar para o aluno, como citado acima no exemplo das salas de aula. É desconfortável para os alunos, por exemplo que o professor transmita a aula de seu quarto, pois isso demanda um nível de intimidade que os alunos e os professores não tem.

O supervisor pedagógico Marcelo da Matta defende a ideia do “quebra-gelo” antes de se iniciar uma aula, que pode gerar bons resultados e uma dinâmica mais próxima e descontraída. “Faça alguma brincadeira a respeito da roupa que está vestindo, ou do seu corte de cabelo despenteado. Isso deixará o aluno mais à vontade e aberto para interagir com mais energia”, orienta.

4 – UTILIZE A TECNOLOGIA A SEU FAVOR

O brasileiro é um povo que, na sua grande maioria, adora conversar e interagir com outras pessoas, e as aulas gravadas não dão essa possibilidade. Dessa maneira, especialistas recomendam que aulas em tempo real e não pré-gravadas podem trazer melhores resultados.

A metodologia KNN, por exemplo, é totalmente voltada para a conversação dos alunos nas aulas, o que torna as aulas ao vivo mais atrativas para os estudantes, pois irão receber exatamente as aulas KNN que eles gostam.

“O profissional deve ter em mente que a tecnologia está aí para ajudá-lo em seu desempenho. No quesito aulas on-line, ferramentas que estimulem a interação aluno/professor e também a interação com outros alunos é essencial para que o virtual forneça a mesma experiência do presencial”, aponta o prof. Ayrton, que recomenda a utilização de fóruns e chats para que haja a troca de informações e feedbacks.

“A diferença entre aulas gravadas e aulas on-line é totalmente perceptível, por isso digo para os professores esquecerem aulas gravadas. Tudo em que interagimos tendemos a colocar naquilo mais energia, mais foco. Eu diria que é um aprendizado sinestésico, pois utilizamos a visão, a audição e o movimento, o que faz das aulas on-line mais eficazes”, defende o supervisor pedagógico da KNN.

5 – CHAME O ALUNO PELO NOME

O mestre em Administração Ayrton Santos de Queiroz aponta uma lição infalível utilizada em salas de aula, mas que se mantem extremamente eficaz em ambientes virtuais: O NOME.

“Pode parecer banal, mas como a distância por conta da tecnologia pode ficar mais evidente nos primeiros dias de aula, o professor deve ganhar atenção, confiança e carinho do aluno jogando com várias nuances. Uma das que mais identifiquei estudando ensino à distância, é que chamar o aluno pelo nome não apenas é uma forma de provar que você está ali por ele de verdade, como também de se conectar sentimentalmente com aquele indivíduo que está atrás de uma tela de computador”, afirma.

Na prática, tratar alguém pelo seu nome próprio geralmente apresenta benefícios nas relações interpessoais. Chamar alguém pelo seu nome acaba talvez por nos aproximar; permite que o outro não seja só uma pessoa, mas sim AQUELA PESSOA; o sujeito que era desconhecido e acaba por ganhar uma distinção passa a ser a pessoa que é chamada pelo nome, porque é reconhecida.

Saber o nome de seus alunos permite que o professor possa trata-lo com uma certa aproximação. Não sendo só uma cara, agora esse rosto tem nome, tem identificação passível de ser utilizada, como um rótulo, a sua marca distinção.

6 – INVISTA EM VOCÊ

“A dica que eu daria é, primeiro, pense que tipo de aulas seus alunos gostariam de ter. Se é mais teórica com explicações gramaticais ou mais pratica com simulações onde a gramática se aplica. Prepare uma aula dinâmica, capaz de prender a atenção dos alunos durante a aula inteira. Se coloque no lugar dos alunos e ensine o que eles querem da forma que eles precisam aprender. Ah! e tenha bons equipamentos e internet.”, afirma Gleidson, diretor do setor pedagógica da KNN Idiomas.

O maior investimento, de acordo com os especialistas consultados, é o profissional se aperfeiçoar naquilo em que é bom de fato.

“A crise, a pandemia e todas as novas realidades que estamos tendo que se adaptar estão servindo para o mercado separar o joio do trigo. Por isso o olhar empreendedor, mesmo daquele que é funcionário de uma empresa, é essencial. O profissional que buscar soluções para os problemas e inovações que irão melhorar o seu trabalho e de seus colegas ganhará muito destaque. É na crise que nos fortalecemos.”, afirma o mestre em Administração Ayrton.

Para a questão operacional, a dica final é aprender a ter mais liberdade e malemolência em frente a uma câmera. “Quando o profissional sabe usar a linguagem corporal em frente a uma webcam, sua aula terá 100% de eficácia. Isto é: aprender a movimentar as mãos, ser expressivo com o rosto, por fim, aumentar ou diminuir o tom de voz quando julgar necessário”, conclui o supervisor pedagógico Marcelo da Matta.

produção de conteúdo e redação
LUCAS MACHADO COELHO

ilustração
LUIS EDUARDO MOSER

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