Especialistas avaliam se investimentos em anúncios de rádio, TV e impresso continuam sendo interessantes para o novo empreendedor na era digital.
Você já parou para pensar como os veículos de comunicação influenciam em suas decisões de compra?
Com o boom das mídias digitais e o aumento da presença de grandes marcas anunciando em conteúdos audiovisuais produzidos exclusivamente para a internet, é comum que o empreendedor de primeira viagem se veja perdido em um mar de possibilidades de investimentos de comunicação e publicidade para divulgar seu serviço: afinal, qual tipo ou meio de comunicação se torna mais assertivo nos tempos de hoje?
A pergunta acaba não sendo tão simples de ser respondida.
Conforme o especialista em mídias, André Vailati, que também é docente de cursos de comunicação do Centro Universitário de Brusque – UNIFEBE e da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, não há como negar a pulverização da comunicação que trouxe a era digital.
Segundo como o profº Vailati exemplifica, com a migração predominantemente do público jovem às plataformas digitais, as mídias tradicionais – bem como as estratégias de marketing também – se viram forçadas as adaptar suas estratégias para que se tornassem mais eficientes.
“Sou um defensor das mídias tradicionais. Acredito que elas ainda possuem alguma vantagem sobre as digitais, já que há a possibilidade de estar do lado do consumidor no momento de decisão de compra. Além disso, algumas delas, como a TV local, se destacam pelo envolvimento que conquistam com o público de outras camadas e regiões”, avalia.
O especialista destaca a “concorrência” entre a plataforma de streaming Spotify e o rádio convencional. Ambas oferecem o mesmo produto: música e entretenimento. Entretanto, o público e seus hábitos de consumo divergem entre si. “Essa discrepância entre o perfil do consumidor destas mídias, que aparentemente ao olho do empreendedor leigo são iguais, é que acaba acarretando à investimentos em marketing sem retorno”.
CONTEÚDO X PLATAFORMA

Seja em mídia on-line ou off-line, TV ou rádio, Facebook ou Instagram, o empreendedor deve abrir os olhos a qualidade do conteúdo em que anuncia sua empresa. Caso a repercussão seja negativa, a imagem da marca perante ao público pode ser afetada também, sofrendo efeito rebote.
Esta consequência fez com que grandes companhias, como Nestlé, McDonald’s, Disney retirassem suas campanhas de dentro da plataforma de vídeos Youtube no ano passado.
As companhias tomaram a decisão depois de uma polêmica ocasionada por um vídeo postado pelo blogueiro Matt Watson em que mostrava os comentários de tom pejorativo em que vários usuários tinham deixado em conteúdos nos quais apareciam meninas menores de idade.
A retirada de anúncios da plataforma destas empresas milionárias fez com o Youtube mudasse suas diretrizes para a publicação de conteúdo.
Para uma decisão mais acertada, o empreendedor que decidir investir em marketing e comunicação não somente deve selecionar com precisão a plataforma, mas também o conteúdo em que sua marca irá se alinhar.
PESQUISA E DIAGNÓSTICO

Toda e qualquer ação de marketing gera resultados, independente da mídia escolhida. Afinal, são para isso que são feitas, certo?
Entretanto, não é necessário apenas colocar a mão na massa. É preciso monitorar a repercussão do seu investimento para que seja mensurada a entrega e alcance deste trabalho.
A consultora especialista em gestão de marketing Michelle Perusin levanta questões relacionadas ao que as mídias em um geral têm a oferecer e como o empresário pode diagnosticar de forma barata onde seu cliente recebeu informações sobre sua empresa ou serviço.
“Há maneiras de fazer isso sem precisar contratar um serviço de pesquisa terceirizado. Um jeito simples é o próprio cadastro de clientes, perguntando ao cliente após a sua tomada de decisão de compra onde que ele ouviu falar sobre o seu empreendimento. O segredo do investimento é o monitoramento dos resultados”, avalia.
CONVERGÊNCIA & PRESTAÇÃO DE SERVIÇO

A especialista, que também é mestre em Comunicação & Linguagens, avalia que antes de um investimento bruto em meios de comunicação, as empresas devem estar atentas a oferecer contribuições gratuitas à sociedade: como sua empresa está contribuindo com a comunidade?
Além do oferecimento de seu produto ou serviço, de que maneira ela está disposta a melhorar a vida do seu público-alvo?
A partir disso, a especialista também identifica que as mídias não competem entre si, elas se complementam, então não há motivo para o empresário optar por apenas uma plataforma de investimento.
Estudiosos da área da comunicação, como Henry Jenkins em suas obras Cultura da Convergência (2006) e Cultura da Conexão (2015)já apontava o fenômeno como o futuro da comunicação e da produção de conteúdo.
“A verdade é que não existe separação entre o marketing praticado tradicionalmente e aquele praticado on-line. A maneira como os gestores irão acompanhar o movimento dessas transformações é o que irá definir o sucesso de seus anúncios com o público. ”
AÇÕES CORPO A CORPO

Ainda que os meios digitais permitam uma maior possibilidade de segmentação de público, os especialistas lembram que a boa e velha prática de ações corpo a corpo ou até mesmo marketing de guerrilha continuam a colher bons frutos: “Não dá para pensar que apenas o digital fará sozinho todo o trabalho”, afirma a consultora Michelle.
Entende-se “corpo a corpo” ou ações off-line aquelas que se utilizam de conversas com a equipe, recolhimento de sugestões, atuação no ponto de venda, visitação de clientes, ouvidoria de críticas, documentação de dúvidas, pesquisa de mercado e por aí vai.
É exatamente desta maneira que a empresa consegue identificar suas necessidades, mercados e principalmente: oportunidades.
De acordo com a publicitária mestre em Ciências da Linguagem, Adriana Edral, quanto mais heterogêneo for o público-alvo do serviço, mais abrangente terá que ser as ações de divulgação da empresa. “Dependendo do negócio, o mix de plataformas trabalhadas é uma decisão mais acertada. Se for o caso de alcançar um público mais velho, o digital pode não ser tão assertivo, por exemplo, já que o consumo é diferente”.
Para o diretor de marketing da KNN Idiomas, Gean Skebsky, ações digitais podem dar um excelente retorno ao microempreendedor individual, mas para empresas de tamanho maior, como a rede de escolas de idiomas em que trabalha, o resultado vem com este mesmo “mix de plataformas” citado pela profª Adriana com a combinação de ações corpo a corpo.
“Com o crescimento das empresas, a tendência é a combinação de todas as práticas de marketing. Aqui na KNN possuímos uma forte presença nas plataformas digitais, com o investimento em redes sociais, landing pages, e-mail marketing, etc. Ao mesmo tempo, possuímos um setor especializado em produzir materiais de ações corpo a corpo. O resultado vemos na prática diariamente com os franqueados realizando dezenas de matrículas todos os dias”, comenta.
A KNN Idiomas possui mais de 20 anos de história e está desde 2014 no mercado de franquias. Atualmente, possui mais de 450 escolas espalhadas por 20 estados brasileiros, levando ensino de qualidade a mais de 100 mil alunos.
Durante a pandemia, a rede lançou o KNN at Home, uma plataforma on-line de ensino à distância, para manter a rotina de estudos em meio ao isolamento social.
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REDAÇÃO KNN IDIOMAS